sexta-feira, 27 de julho de 2012

A igreja do estúdio de todos os dias

Faz tempo fundei uma religião: A igreja do estúdio de todos os dias. Além do voto de pobreza (os fiéis já estão acostumados: o estúdio consome todo o nosso pouco dinheiro), um praticante fiel deve seguir 2 mandamentos sagrados:

1 - Jamais vender qualquer equipamento analógico. Não importa o que seja.
2 - Comprar qualquer equipamento analógico que seja ofertado aqui pelo preço dos EUA. Não importa o que seja.

Fundei a igreja logo depois de vender um monte de coisas pra inteirar a compra de um sistema Protools hd, em 2004. O estúdio engoliu o músico, e lá se foram minhas guitarras, amplificadores e pedais... Não demorei muito a me arrepender. Não da compra do sistema, mas de não ter arrumado outra forma de fechar o negócio. Este foi o momento de minha conversão. E vozes dentro de minha cabeça começaram: "Thou shalt not sell gear..."

Seguir o primeiro mandamento nem sempre é fácil. De vez em quando bate aquela tentação de rifar algo que está encostado, fora da tomada a anos. Mas eu resisto. Sabe aquele microfone de karaokê que eu nem sei como veio parar aqui? Então... desde que eu tirei minha mesa d8b da jogada fiquei sem talk-back, o que me obriga a abrir um microfone na técnica pra falar com os músicos durante as gravações. E esse microfonezinho safado tem até uma chave on/off.
Mas eu demorei a me converter: outro dia gravei uma banda que tinha usado em suas gravações caseiras um efeito de flanger na guitarra que eu não consegui replicar com meus plug-ins. Ficou bom, mas ficou diferente. Ah, se eu ainda tivesse aquele pedalzinho da Boss...

Enquanto a tentação de vender algo pode ser grande - a gente sempre precisa de dinheiro para comprar o próximo brinquedo - seguir o segundo mandamento é relativamente fácil. As oportunidades é que são raras, raríssimas. Por isso manter um cofrinho é tão importante para  nossa fé.

Amém..




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