Depois de ficar de saco cheio do Waveburner da Apple e de seus desentendimentos com meu velho Mac G5 (DDP e cd-text bugs) resolvi montar um sisteminha paralelo apenas para masterização. Comprei um Mac Mini e instalei nele o Wavelab7 da Steinberg. Programa desconhecido para mim, muito bom, mas meio complicado. Mesmo com o Wavelab7 Power! de Matthew Hepworth na mão ainda vai demorar um tempinho pra dominar esse novo trem.
O Wavelab também tem seus bugs e particularidades (pra algumas coisas ele é bem esquisito mesmo), e sinto falta de ferramentas que só tenho no Protools (principalmente da McDsp e o Massenburg EQ). Mas ser forçado a um novo "workflow" faz com que a gente raspe a ferrugem e aprenda coisas novas. Duro mesmo é olhar pra interface gráfica dele. Ô trem feio! O Wavelab7 é um programa "importado" da plataforma Windows e pelamordedeus... Steve Jobs morreria de novo se visse tantos icones feios na tela de um Mac.
Eu não contava era com a proliferação de dongles usb na minha mesa. Eu já tinha uma chave pro Protools HD. Aí precisei de um ilok2 pra instalar uns plug-ins mais moderninhos. O update da Waves abandonou o esquema iLok e adotou novamente um próprio, que está autorizado num pen drive. E com o Wavelab veio um "elicenser": mais uma chave. 4 dispositivos. Gasto um hub só pra eles. Fora o que é autorizado diretamente no computador. Por que é que eu não uso software pirata mesmo?
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Focal Twin6 be... good!
Eba! Chegaram as minhas Focal Twin6 Be. Finalmente vou poder aposentar as Mackies HR824... e espero nunca mais ter que refazer uma mixagem porque os monitores mentiram pra mim! Que de agora em diante seja tudo culpa minha mesmo!
Na verdade chegaram no fim de outubro, mas eu estava viajando (fui pra AES em San Francisco - assunto que ainda renderá muitos posts), e depois trabalhei feito um louco... nessas, acabou o ano.
Ha! Mas as caixas são lindas! Uma diferença enorme depois de dez anos ouvindo as Mackies. Não tenho nada contra as HR824, monitores que viraram quase que um padrão pros pequenos estúdios mundo afora. Vou manter as minhas velhas companheiras por aqui - se algum cliente estiver acostumado e quiser usa-las, ou pra algum projeto 5.1 - mas a Focal me abriu um adorável mundo novo. Descobri que a minha sala tem um som bem melhor do que eu imaginava: muitos dos meus problemas estavam nos antigos monitores. E eu já disse que as caixas novas são lindas?
Foi Richard Mendelson, professor da Berklee, quem me falou das Focal Twin6 Be, num chat durante o curso "The Art of Mixing" da Berkleemusic.com. Dei uma pesquisada (infelizmente aqui neste país é meio difícil fazer o certo: pegar um par, trazer pro estúdio, trabalhar alguns dias e só depois definir a compra. Parte do custo Brasil.), perguntei bastante por aí e resolvi arriscar. Bingo!
![]() |
| Focal Twin6 Be no estúdio. |
Depois do break in inicial de 20 horas (o som vai melhorando sensivelmente durante as primeiras 100 horas de uso), comecei a trabalhar de verdade. Esses monitores são cruéis (no bom sentido). Se a coisa está ruim, eles te jogam isso na cara. Mas se a coisa está boa também. Depois de algum tempo eu percebi que durante as gravações passei a trabalhar muito mais na microfonação (posicionamento e seleção de microfones e preamps) e uso cada vez menos plug-ins. Na hora da mix tudo ficou muiiitttooo mais rápido. Volumes, panorização, equalização... tudo fácil. As escolhas são claras e eu não escuto coisas diferentes toda vez que aperto o "play" - as Mackies pareciam me contar uma história diferente a cada vez que eu ouvia um mesmo trecho da música. Chega de correr atrás do próprio rabo!
Minha única dúvida é em relação aos sub-graves. As Focal vão maravilhosamente bem até os 40Hz. Abaixo disso ela não apita. Por enquanto não senti falta nenhuma, e na verdade eu não gosto de trabalhar com sub-woofers, mas pode ser que daqui a pouco eu resolva incorporar um sub no sistema. Pra arrebentar de vez :)
Me desculpe seu Mackie, mas as Focal Twin6 Be são outro papo!
Vive la France
;)
terça-feira, 12 de junho de 2012
Você topa dar uma topada?
Finalmente as mixes do Matuto Moderno começam a sair. Demorou, mas acho que acertei a mão nessa mixagem. Pelo menos por enquanto eu gosto.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Cursos on-line
No segundo semestre de 2010 resolvi experimentar o curso "Técnicas de Masterização de Audio" oferecido on-line pelo departamento de educação continuada da Berklee College of Music (Boston, MA). E não é que os gringos sabem mesmo fazer as coisas? O curso é simplesmente fantástico. Eu gostei tanto que me matriculei num de seus programas de certificação. Eu não me divertia assim desde que terminei meu Associate of Arts no Musicians Institute (Hollywood, CA).
Esse certificado engloba 5 cursos:
- Critical Listening 1
- Music Production Analysis
- Recording and Producing in the Home Studio
- Art of Mixing
- Audio Mastering Techniques
Todos os cinco cursos são excelentes. São bem caros, mas valem cada centavo - principalmente o Music Production Analysis, que é único! Mas é importante prestar atenção: você tem que entrar de cabeça e aproveitar o máximo que puder, do contrário a coisa perde o sentido. Não importa muito o quanto o camarada já sabe: é o empenho de cada um que faz a diferença. Pra ter uma ideia, eu dediquei ao curso mais de 10 horas semanais, por 15 meses seguidos. Eu reconheço que sou meio nerd pra essas coisas, mas a experiência é viciante... e quase deu briga lá em casa :)
Depois de quase 20 anos fazendo isso da vida eu não posso dizer que seja exatamente um novato no métier. E não é que mesmo já meio burro velho meu som ficou nitidamente melhor depois dessa reciclada? Estudar é tudo. Berklee rules!
E finalmente, depois de uns meses parado aqui na estante, eu peguei o diplominha e fui até o vidraceiro da esquina emoldurar meu certificado. Uhu! Mais um pra coleção! E vamos pro próximo!
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Era uma vez uma banda chamada Três...
Acho que foi em 2009 que eu ajudei a produzir o som dessa galera. Curti muito fazer esse trabalho. Está aí. Apesar de ser uma produção antiga e de eles terem postado essa música com uma resolução ruim pacas, ainda assim merece um post!
... afinal de contas eles me seguem aqui no blog. Valeu André, valeu Zulli, valeu Sal!
Tempo Perdido...
Quem não faz uma boa pré-produção acaba gastando muito mais tempo na hora de gravar. Aí o camarada vai ficando aflito com o tempo correndo e começa a achar que está tudo bom, que é o melhor que dá pra fazer. Arestas inacabadas e decisões não tomadas vão ficando para a etapa seguinte: a mixagem. Mixar se torna um processo muito, mas muito mais lento e em geral menos criativo. Afinal de contas, ao invés de potencializar o impacto emocional de uma gravação, perde-se horas editando, afinando e consertando o que está mal gravado ou executado. Como já estamos atrasados no cronograma ($), bola pra frente! Então esse trabalho mal concebido, mal gravado e mal mixado chega às mãos de alguém para ser masterizado. E a gente espera que o camarada faça mágica.
Propaganda sem-vergonha: Milagre não rola, mas como mágico eu até que dou minhas cacetadas...
Propaganda sem-vergonha: Milagre não rola, mas como mágico eu até que dou minhas cacetadas...
terça-feira, 5 de junho de 2012
Reverbs
Rolou uma papo aqui no estúdio a respeito de plug-ins de reverb.
Conclusões:
1 - A menos que o sujeito tenha uma mesa SSL em casa, dá pra viver muito bem sem o hardware. Alguns plug-ins chegam bem perto, e até fazem algumas coisas que os equipamentos de 20 anos atrás não podiam fazer. Principalmente depois que apareceram esses tais de "convolution reverbs", que apesar de não serem perfeitos, quebram o maior dos galhos.
2 - Por enquanto, o Altiverb, da Audio Ease é o melhor. (justo o que eu não tenho! - mas está na lista de compras...).
3 - O TL Space é bem bom também, mas tem menos "impulse responses" disponíveis. Como eu o uso faz tempo, já me acostumei com seu jeitão.
4 - Apesar ser responsável por muitos dos meus plug-ins favoritos, nunca me apaixonei por um reverb da Waves. Se você usa plug-ins da Waves (e eu uso bastante!), faça um favor a si mesmo: fique longe dos reverbs. Procure em outro lugar. Sorry, Waves.
5 - Lexicon é Lexicon. O 480L foi tão usado e abusado que seu som é clássico, referência do som dos discos por duas décadas. Praticamente tudo o que foi produzido de meados dos anos 80 até a virada dos 2000 tem uma carimbada "Lexicon".
São muitas as opções, mas a verdade verdadeira é que a gente quase sempre usa poucos tipos diferentes de reverberação numa mixagem. De modo geral, dependendo do estilo da música, eu preparo um canal auxiliar com algum tipo de sala (Hall, Room, Church), um outro com um Plate, e de vez em quando mais um com um Spring. No máximo. Fundamental é entender e ajustar os parâmetros do efeito, pelo menos o pre-delay e o decay. Isso faz toda a diferença.
Erros mais comuns numa mix (especialmente com vocais) :
1 - Decay longo demais... aquele "mar de reverb" que acaba por desfocar a mix.
2 - Não ajustar o pre-delay de acordo com a música. Quer aquele som de gringo, cheio de efeito mas ainda assim "na cara"? Pre-Delay.
3- Ao invés de usar um canal auxiliar, o camarada espeta o plug-in de reverb diretamente no canal do instrumento. Apesar de ser ok em determinadas situações, é em geral uma má idéia.
Dica:
A escolha de mandadas de auxiliar pre-fader ou post-fader é um recurso muito bacana mas frequentemente esquecido. Um truque bacana usando a técnica é o seguinte:
1- Voz principal no canal 01, equalizada a gosto...
2- Nesse canal 01 instale uma mandada auxiliar pre-fader para seu reverb favorito.
3- Automatize o volume do canal 01, e defina sua saída para a entrada de um segundo canal (02).
4- O canal 02 passa a ser seu canal de "voz". Aqui você coloca seu compressor favorito, que não precisará atuar tanto já que está recebendo um sinal bem controlado pela automação de volume anterior.
O que isso faz? O som com o volume automatizado e comprimido que a gente escuta vem do canal 02, mas o som que o reverb escuta é um sinal não comprimido, muito mais dinâmico (canal 01). Assim, quando seu cantor estiver sussurrando ao pé do ouvido palavras de amor, a automação de volume e o compressor trarão a voz pra frente, mas o efeito do reverb será menor, e a voz soará mais intimista. Quando o cantor soltar os pulmões naquele grito indignado pela rejeição da amada, a automação de volume e a compressão "segurarão" o volume da voz, mas o reverb escutará o vocal original, livre, e o efeito será proporcionalmente maior, tornando o choro ainda mais épico mergulhado num mar de reverberação. Experimente!
Conclusões:
1 - A menos que o sujeito tenha uma mesa SSL em casa, dá pra viver muito bem sem o hardware. Alguns plug-ins chegam bem perto, e até fazem algumas coisas que os equipamentos de 20 anos atrás não podiam fazer. Principalmente depois que apareceram esses tais de "convolution reverbs", que apesar de não serem perfeitos, quebram o maior dos galhos.
2 - Por enquanto, o Altiverb, da Audio Ease é o melhor. (justo o que eu não tenho! - mas está na lista de compras...).
3 - O TL Space é bem bom também, mas tem menos "impulse responses" disponíveis. Como eu o uso faz tempo, já me acostumei com seu jeitão.
4 - Apesar ser responsável por muitos dos meus plug-ins favoritos, nunca me apaixonei por um reverb da Waves. Se você usa plug-ins da Waves (e eu uso bastante!), faça um favor a si mesmo: fique longe dos reverbs. Procure em outro lugar. Sorry, Waves.
5 - Lexicon é Lexicon. O 480L foi tão usado e abusado que seu som é clássico, referência do som dos discos por duas décadas. Praticamente tudo o que foi produzido de meados dos anos 80 até a virada dos 2000 tem uma carimbada "Lexicon".
São muitas as opções, mas a verdade verdadeira é que a gente quase sempre usa poucos tipos diferentes de reverberação numa mixagem. De modo geral, dependendo do estilo da música, eu preparo um canal auxiliar com algum tipo de sala (Hall, Room, Church), um outro com um Plate, e de vez em quando mais um com um Spring. No máximo. Fundamental é entender e ajustar os parâmetros do efeito, pelo menos o pre-delay e o decay. Isso faz toda a diferença.
Erros mais comuns numa mix (especialmente com vocais) :
1 - Decay longo demais... aquele "mar de reverb" que acaba por desfocar a mix.
2 - Não ajustar o pre-delay de acordo com a música. Quer aquele som de gringo, cheio de efeito mas ainda assim "na cara"? Pre-Delay.
3- Ao invés de usar um canal auxiliar, o camarada espeta o plug-in de reverb diretamente no canal do instrumento. Apesar de ser ok em determinadas situações, é em geral uma má idéia.
Dica:
A escolha de mandadas de auxiliar pre-fader ou post-fader é um recurso muito bacana mas frequentemente esquecido. Um truque bacana usando a técnica é o seguinte:
1- Voz principal no canal 01, equalizada a gosto...
2- Nesse canal 01 instale uma mandada auxiliar pre-fader para seu reverb favorito.
3- Automatize o volume do canal 01, e defina sua saída para a entrada de um segundo canal (02).
4- O canal 02 passa a ser seu canal de "voz". Aqui você coloca seu compressor favorito, que não precisará atuar tanto já que está recebendo um sinal bem controlado pela automação de volume anterior.
O que isso faz? O som com o volume automatizado e comprimido que a gente escuta vem do canal 02, mas o som que o reverb escuta é um sinal não comprimido, muito mais dinâmico (canal 01). Assim, quando seu cantor estiver sussurrando ao pé do ouvido palavras de amor, a automação de volume e o compressor trarão a voz pra frente, mas o efeito do reverb será menor, e a voz soará mais intimista. Quando o cantor soltar os pulmões naquele grito indignado pela rejeição da amada, a automação de volume e a compressão "segurarão" o volume da voz, mas o reverb escutará o vocal original, livre, e o efeito será proporcionalmente maior, tornando o choro ainda mais épico mergulhado num mar de reverberação. Experimente!
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Preparando-se para uma gravação
Existem alguns erros que são muito difíceis de evitar quando se é marinheiro de primeira viagem. E tem uns figuras que continuam a repeti-los mesmo depois de velhos...
1 - Venha descansado. Chegue na hora, nem antes, nem depois.
2 - Não traga as namoradas/os ou amigos. O mesmo se aplica a bebidas alcoólicas e outros ilícitos (mesmo que você os considere seus melhores amigos). Não tenho absolutamente nada contra transformar sua gravação em uma balada, ou que você insista em tocar "under the influence". Afinal de contas, o dinheiro é seu.
3 - Vista-se confortavelmente, mas traga um casaco, principalmente se for verão! Um bom estúdio tem um monte de eletrônicos, computadores, transformadores, válvulas e outros trecos que esquentam. Para garantir que nada frite e prolongar a vida útil da aparelhagem os estúdios normalmente trabalham com um bom ar-condicionado.
4 - Saiba o que você quer gravar. Pesquise e traga referências para seu trabalho. Venha o mais ensaiado possível. Gravar é rápido. O que demora (e muito!) é decidir o quê gravar e se você gosta do que está gravado.
5 - Decida antes qual o andamento das músicas e traga tudo anotado. Se você não está acostumado a tocar com um metrônomo, não invente de tentar justo na hora da gravação. Não vai funcionar. Ah! Também não é aumentando o volume do metrônomo que você vai tocar no tempo. Só vai te furar os tímpanos.
6 - Grave seus ensaios, grave você cantando no chuveiro, grave tudo. Use seu computador, seu celular, tanto faz. O importante é ouvir atentamente e fazer uma auto-critica quanto ao seu desempenho. A prática leva à perfeição. Alugue tempo em um estúdio mais barato e grave seu trabalho. Faça uma "demo". Escute, ouça se o arranjo funciona como você imaginava. Você estará praticando, aprendendo e cometendo erros que poderá evitar quando for a hora de gastar uma grana maior em um estúdio mais caro.
7 - Mantenha as coisas simples. Toque dentro da sua "zona de conforto".
8 - Se você não pode se dar ao luxo de ter um produtor, converse com o pessoal do estúdio sobre os passos da gravação e faça um cronograma detalhado. É certo que imprevistos e improvisos acontecerão, mas traçar metas e prazos (desde que realistas!) vai te ajudar muito a acertar o orçamento.
9 - Troque as cordas de violões e guitarras no dia anterior. Troque as peles da bateria. Se a bateria for sua, afine ela em casa. Na hora vai mudar tudo, mas já estará bem mais perto. Confira tudo o que você pretende usar. Amplificadores, pilhas, etc...
10 - E não esqueça... confira a afinação de seu instrumento a cada passada. Sempre!
O estúdio de gravação é o lugar onde as coisas bacanas ficam melhores ainda. E as ruins ficam piores! Preocupe-se primeiro em arrumar o que ainda não está legal. Agora vai lá e divirta-se !
1 - Venha descansado. Chegue na hora, nem antes, nem depois.
2 - Não traga as namoradas/os ou amigos. O mesmo se aplica a bebidas alcoólicas e outros ilícitos (mesmo que você os considere seus melhores amigos). Não tenho absolutamente nada contra transformar sua gravação em uma balada, ou que você insista em tocar "under the influence". Afinal de contas, o dinheiro é seu.
3 - Vista-se confortavelmente, mas traga um casaco, principalmente se for verão! Um bom estúdio tem um monte de eletrônicos, computadores, transformadores, válvulas e outros trecos que esquentam. Para garantir que nada frite e prolongar a vida útil da aparelhagem os estúdios normalmente trabalham com um bom ar-condicionado.
4 - Saiba o que você quer gravar. Pesquise e traga referências para seu trabalho. Venha o mais ensaiado possível. Gravar é rápido. O que demora (e muito!) é decidir o quê gravar e se você gosta do que está gravado.
5 - Decida antes qual o andamento das músicas e traga tudo anotado. Se você não está acostumado a tocar com um metrônomo, não invente de tentar justo na hora da gravação. Não vai funcionar. Ah! Também não é aumentando o volume do metrônomo que você vai tocar no tempo. Só vai te furar os tímpanos.
6 - Grave seus ensaios, grave você cantando no chuveiro, grave tudo. Use seu computador, seu celular, tanto faz. O importante é ouvir atentamente e fazer uma auto-critica quanto ao seu desempenho. A prática leva à perfeição. Alugue tempo em um estúdio mais barato e grave seu trabalho. Faça uma "demo". Escute, ouça se o arranjo funciona como você imaginava. Você estará praticando, aprendendo e cometendo erros que poderá evitar quando for a hora de gastar uma grana maior em um estúdio mais caro.
7 - Mantenha as coisas simples. Toque dentro da sua "zona de conforto".
8 - Se você não pode se dar ao luxo de ter um produtor, converse com o pessoal do estúdio sobre os passos da gravação e faça um cronograma detalhado. É certo que imprevistos e improvisos acontecerão, mas traçar metas e prazos (desde que realistas!) vai te ajudar muito a acertar o orçamento.
9 - Troque as cordas de violões e guitarras no dia anterior. Troque as peles da bateria. Se a bateria for sua, afine ela em casa. Na hora vai mudar tudo, mas já estará bem mais perto. Confira tudo o que você pretende usar. Amplificadores, pilhas, etc...
10 - E não esqueça... confira a afinação de seu instrumento a cada passada. Sempre!
O estúdio de gravação é o lugar onde as coisas bacanas ficam melhores ainda. E as ruins ficam piores! Preocupe-se primeiro em arrumar o que ainda não está legal. Agora vai lá e divirta-se !
terça-feira, 22 de maio de 2012
Triangulo das Restrições
Parece que foi um tal de Dr Martin Barnes quem elaborou o conceito pela primeira vez. Mas foi Alejandro Lupia, engenheiro de som e produtor musical, quem me deu esse toque, já faz um bom tempinho. Valeu Alejandro! Eu penso nisso sempre que alguém me pede pra fechar um "pacote" ou pra fazer um descontinho. Vamos lá.
Na gestão de um projeto qualquer (que no caso aqui é a gravação, mixagem, e/ou masterização de música), lida-se sempre com uma quantidade finita de recursos. E como esse não é um mundo perfeito, esses recursos são sempre insuficientes. Assim, a gravação de uma música (nosso objetivo) é limitada pelo custo (exemplo: equipamento e pessoal trabalhando no estúdio) e pelo tempo dedicado ao trabalho. Imagine que esses sejam os lados de um triangulo de área constante: QUALIDADE (nosso objetivo!), TEMPO (eu preciso disso pronto pra ontem...), e CUSTO (mas não dá pra fazer um descontinho aí?). Como a área desse triangulo é fixa (recursos limitados), pra diminuir um dos lados a gente tem que aumentar pelo menos um dos outros dois. Assim, se você quiser mexer no custo, por exemplo, prepare-se: ou vai demorar mais, ou não vai ficar tão bom assim...
Resumindo:
Mas fique esperto. A regra não vale ao contrário. Ninguém te garante que um projeto demorado e caro não possa ser também... ruim!
Como eu já disse, esse não é um mundo perfeito.
Na gestão de um projeto qualquer (que no caso aqui é a gravação, mixagem, e/ou masterização de música), lida-se sempre com uma quantidade finita de recursos. E como esse não é um mundo perfeito, esses recursos são sempre insuficientes. Assim, a gravação de uma música (nosso objetivo) é limitada pelo custo (exemplo: equipamento e pessoal trabalhando no estúdio) e pelo tempo dedicado ao trabalho. Imagine que esses sejam os lados de um triangulo de área constante: QUALIDADE (nosso objetivo!), TEMPO (eu preciso disso pronto pra ontem...), e CUSTO (mas não dá pra fazer um descontinho aí?). Como a área desse triangulo é fixa (recursos limitados), pra diminuir um dos lados a gente tem que aumentar pelo menos um dos outros dois. Assim, se você quiser mexer no custo, por exemplo, prepare-se: ou vai demorar mais, ou não vai ficar tão bom assim...
Resumindo:
Mas fique esperto. A regra não vale ao contrário. Ninguém te garante que um projeto demorado e caro não possa ser também... ruim!
Como eu já disse, esse não é um mundo perfeito.
O botão de volume de um milhão de dólares
Pois é... mais um post da série: "explicando à minha esposa porque é que eu realmente preciso disso".
Por anos eu usei uma mesa digital Mackie d8b, conectada à interface do Protools. Ultimamente ela servia apenas para impressionar clientes menos sabidos, fazer as mandadas de fone de ouvido, e para o controle dos monitores na técnica. Mas a velhinha começou a dar um mal-contato esquisito, travando de vez em quando. Argh... nada de mais, mas enchia o saco. Durante uma gravação que já estava meio confusa ela travou e não quis ressuscitar. Eu me irritei tanto que arranquei todos os cabos e tirei a mesa da jogada. Liguei o conversor direto aos monitores e... nossa! Eu já esperava uma melhora, mas não imaginava que fosse assim tão nítida.
Mea culpa: eu andava maldizendo minhas Mackies HR824 por umas mixagens meio "erradas". O que eu não havia percebido é que o elo mais fraco em meu estúdio ainda não era a monitoração, mas o mixer d8b. Uma ficha importante caiu: pior do que aquilo que a gente deixa de escutar, é aquilo que a gente ESCUTA mas que na verdade não está lá. E correr atrás dessas "assombrações" desperdiça um tempo enorme!
(Não me leve a mal, seu Mackie! O mixer d8b é fantástico, por mais de dez anos foi ferramenta essencial aqui no estúdio. É que a gente vai sempre querendo melhorar um pouquinho...)
Um dos dizeres na arte da masterização é fazer "o que for preciso, o mínimo necessário". Bem, nada é mais mínimo do que coisa nenhuma! Eliminando o mixer da jogada eu alcancei o máximo da fidelidade possível dos outros equipamentos (monitores e conversores). E isso fez a diferença.
Fez a diferença mas me criou um problema. Para poder trabalhar a um volume confortável eu tinha que tirar uns 20 dBs no "master fader" do Protools. E isso reduz muito a qualidade da conversão do digital para o analógico. Nesse volume é como se eu estivesse trabalhando a 20 bits, perdendo bastante das nuances do material. O impressionante é que mesmo assim ainda era melhor do que monitorar pelo mixer.
Bom, a solução foi então arrumar algo que pudesse controlar o volume dos meus monitores e mandar uns fones de ouvido pra turma. Procurando algo simples e com muita qualidade acabei simpatizando com o Gain Train, da Kush Audio.
- O aparelho é composto por 2 módulos - o Main Gain e o Junction Fuction. Cada módulo custa 500 dólares (numa viagem dá pra trazer na mala e passar isento de impostos)... e ainda posso comprar um módulo de cada vez.
- O aparelhinho é simples, e aparentemente feito para ser excelente.
- Me permite monitorar em MONO, e ligar/desligar os monitores independentemente (muito útil na hora de mixar).
- Super "transparente" e bom o suficiente pras minhas masterizações.
Resolvido. Tendo um botão de volume pros meus monitores, eu dou um jeito no resto. O Main Gain parece ideal. Simples e com uma super qualidade de som. E ontem a tarde o Sérgio, da Music Company, me trouxe um aqui pra gente escutar.
O bichinho é duca!!!!
Mas é uma grana ! (comprando com o Sérgio eu ainda tenho que pagar o preço "Brasil") Tá louco? Tô.
Não é fácil fazer um circuitinho desses bom pra valer. Pense comigo: esse circuito tem que replicar proporcionalmente (controle de volume) a variação do potencial elétrico da entrada na saída. É essa variação que ao final vai fazer a caixa acústica vibrar e reproduzir som. Não é só espetar um potenciômetro no meio do cabo. Com o volume alto ou baixo, e a cada pequena variação, essa caixinha tem de soar como se não estivesse lá, como se não existisse. E, até onde posso perceber, a Kush Audio acertou em cheio com o Main Gain.
E assim lá fui eu pro banco...
Pensando bem, nem foi assim tão caro. O Main Gain é o melhor upgrade que fiz nos últimos anos.
Agora só tenho que esperar alguém me trazer dos EUA um Junction Fuction pra completar o brinquedinho.
Já ia esquecendo: alguém quer trocar/comprar um mixer Mackie d8b completinho?
Por anos eu usei uma mesa digital Mackie d8b, conectada à interface do Protools. Ultimamente ela servia apenas para impressionar clientes menos sabidos, fazer as mandadas de fone de ouvido, e para o controle dos monitores na técnica. Mas a velhinha começou a dar um mal-contato esquisito, travando de vez em quando. Argh... nada de mais, mas enchia o saco. Durante uma gravação que já estava meio confusa ela travou e não quis ressuscitar. Eu me irritei tanto que arranquei todos os cabos e tirei a mesa da jogada. Liguei o conversor direto aos monitores e... nossa! Eu já esperava uma melhora, mas não imaginava que fosse assim tão nítida.
Mea culpa: eu andava maldizendo minhas Mackies HR824 por umas mixagens meio "erradas". O que eu não havia percebido é que o elo mais fraco em meu estúdio ainda não era a monitoração, mas o mixer d8b. Uma ficha importante caiu: pior do que aquilo que a gente deixa de escutar, é aquilo que a gente ESCUTA mas que na verdade não está lá. E correr atrás dessas "assombrações" desperdiça um tempo enorme!
(Não me leve a mal, seu Mackie! O mixer d8b é fantástico, por mais de dez anos foi ferramenta essencial aqui no estúdio. É que a gente vai sempre querendo melhorar um pouquinho...)
Um dos dizeres na arte da masterização é fazer "o que for preciso, o mínimo necessário". Bem, nada é mais mínimo do que coisa nenhuma! Eliminando o mixer da jogada eu alcancei o máximo da fidelidade possível dos outros equipamentos (monitores e conversores). E isso fez a diferença.
Fez a diferença mas me criou um problema. Para poder trabalhar a um volume confortável eu tinha que tirar uns 20 dBs no "master fader" do Protools. E isso reduz muito a qualidade da conversão do digital para o analógico. Nesse volume é como se eu estivesse trabalhando a 20 bits, perdendo bastante das nuances do material. O impressionante é que mesmo assim ainda era melhor do que monitorar pelo mixer.
Bom, a solução foi então arrumar algo que pudesse controlar o volume dos meus monitores e mandar uns fones de ouvido pra turma. Procurando algo simples e com muita qualidade acabei simpatizando com o Gain Train, da Kush Audio.
- O aparelho é composto por 2 módulos - o Main Gain e o Junction Fuction. Cada módulo custa 500 dólares (numa viagem dá pra trazer na mala e passar isento de impostos)... e ainda posso comprar um módulo de cada vez.
- O aparelhinho é simples, e aparentemente feito para ser excelente.
- Me permite monitorar em MONO, e ligar/desligar os monitores independentemente (muito útil na hora de mixar).
- Super "transparente" e bom o suficiente pras minhas masterizações.
Resolvido. Tendo um botão de volume pros meus monitores, eu dou um jeito no resto. O Main Gain parece ideal. Simples e com uma super qualidade de som. E ontem a tarde o Sérgio, da Music Company, me trouxe um aqui pra gente escutar.
O bichinho é duca!!!!
Mas é uma grana ! (comprando com o Sérgio eu ainda tenho que pagar o preço "Brasil") Tá louco? Tô.
Não é fácil fazer um circuitinho desses bom pra valer. Pense comigo: esse circuito tem que replicar proporcionalmente (controle de volume) a variação do potencial elétrico da entrada na saída. É essa variação que ao final vai fazer a caixa acústica vibrar e reproduzir som. Não é só espetar um potenciômetro no meio do cabo. Com o volume alto ou baixo, e a cada pequena variação, essa caixinha tem de soar como se não estivesse lá, como se não existisse. E, até onde posso perceber, a Kush Audio acertou em cheio com o Main Gain.
E assim lá fui eu pro banco...
Pensando bem, nem foi assim tão caro. O Main Gain é o melhor upgrade que fiz nos últimos anos.
Agora só tenho que esperar alguém me trazer dos EUA um Junction Fuction pra completar o brinquedinho.
Já ia esquecendo: alguém quer trocar/comprar um mixer Mackie d8b completinho?
terça-feira, 15 de maio de 2012
Slate Digital Trigger
Uma das muitas coisas bacanas na gravação do último disco do Matuto Moderno foi que eu tive o prazer de ir e voltar de Pedralva, MG, trocando idéias com o produtor Alexandre Fontanetti. Nesses papos, o assunto "drum replacement" apareceu. Fazia já algum tempo que eu havia abandonado a técnica, usando-a apenas no último dos últimos dos casos, quando eu fatalmente tinha que encarar minha incompetência... Por princípio eu achava a técnica meio "deselegante", afinal, se é pra trocar o som da bateria que a gente gravou pelo som feito por outra pessoa, pra quê se dar ao trabalho de espetar aquele bando de microfones? ok, é bacana fazer seus próprios samples a partir da bateria que se está usando e somar à mix, mas isso dá um trabalho que raramente o cliente topa encarar.
Pois bem. Minha referência ainda era o velho "SoundReplacer" do Protools, ferramenta pra lá de ultrapassada. Outros programas, como o Drumagog não me encantaram muito... Aí o Fontanetti me perguntou se eu já tinha usado o "Trigger", da Slate Digital. E devo mais essa ao Alexandre.
Bom, muito bom. Bom demais! Um pouco complicado pra "criar" seus próprios samples, mas a biblioteca que vem com o plug-in (versão Platinum) já é fenomenal!
E acabei usando de novo uns velhos truques da sacola.
Meu preferido:
Sabe aquele reverbinho que a gente sempre coloca na caixa? Então, muito melhor é somar um som de caixa mais "distante", usando um dos samples NRG ou SSDR do plug-in. Ache uma caixa parecida com a sua, equalize e voilà ! Menos reverb, mais som.
O mais legal desse plug-in é que ele "mistura" o som original com o sampleado de um jeito muito natural. É muito fácil fazer o original e o sample soarem como um instrumento só. Mas cuidado ! O grande barato é a proporção entre os dois, e não a substituição total. Sabe aquele surdo que não "corta" na mix? Carregue um surdo do Trigger, tire um pouco dos graves (pra manter mais da característica original da batera), e deixe passar o ataque da baqueta... Misture uns 60% do original com 40% do sample. Coisa fina.
E vá lá... Agora eu tenho que me policiar, senão acabo viciado a sempre somar aquele bumbozinho sampleado ao original. Preguiça? Sei não. Se fica bom, dane-se a elegância...
Olhando meu rack aqui eu lembrei que ainda tenho uma D4 da Alesis... Ô coitada...
Pois bem. Minha referência ainda era o velho "SoundReplacer" do Protools, ferramenta pra lá de ultrapassada. Outros programas, como o Drumagog não me encantaram muito... Aí o Fontanetti me perguntou se eu já tinha usado o "Trigger", da Slate Digital. E devo mais essa ao Alexandre.
Bom, muito bom. Bom demais! Um pouco complicado pra "criar" seus próprios samples, mas a biblioteca que vem com o plug-in (versão Platinum) já é fenomenal!
| www.slatedigital.com |
E acabei usando de novo uns velhos truques da sacola.
Meu preferido:
Sabe aquele reverbinho que a gente sempre coloca na caixa? Então, muito melhor é somar um som de caixa mais "distante", usando um dos samples NRG ou SSDR do plug-in. Ache uma caixa parecida com a sua, equalize e voilà ! Menos reverb, mais som.
O mais legal desse plug-in é que ele "mistura" o som original com o sampleado de um jeito muito natural. É muito fácil fazer o original e o sample soarem como um instrumento só. Mas cuidado ! O grande barato é a proporção entre os dois, e não a substituição total. Sabe aquele surdo que não "corta" na mix? Carregue um surdo do Trigger, tire um pouco dos graves (pra manter mais da característica original da batera), e deixe passar o ataque da baqueta... Misture uns 60% do original com 40% do sample. Coisa fina.
E vá lá... Agora eu tenho que me policiar, senão acabo viciado a sempre somar aquele bumbozinho sampleado ao original. Preguiça? Sei não. Se fica bom, dane-se a elegância...
Olhando meu rack aqui eu lembrei que ainda tenho uma D4 da Alesis... Ô coitada...
terça-feira, 8 de maio de 2012
laura wrona
... e outro obrigadão ao produtor Thiago Nassif, o cara que trouxe esse trabalho aqui pro estúdio. Boa!
Vale a pena dar uma olhada: laurawrona
The Mid-Side Theory
Era uma vez um inglês muito louco chamado Blumlein. Em 1931 ele inventou o som estéreo. Só isso. Bom, na verdade não foi só isso. Procurando fazer um registro mais natural daquilo que ouvimos o cara teve que inventar jeitos novos de captar, codificar e reproduzir esses sons. Entre suas muitas invenções ele patenteou duas técnicas de microfonação para captação estereofônica. Uma delas é chamada Mid-Side.
Por quê esse lero-lero? Bom, começou porque outro dia eu comprei um Rode k2. Microfone usado, precinho justo (pra Brasil), valvulado, padrão de captação variável. Um tempero diferente pra coleção. Muito bonito, mas com o tempo acabei ficando um pouco decepcionado. O k2 sempre perdia para outros microfones que eu uso. E estava ficando um pouco difícil de justificar à minha esposa a compra de mais um microfone.
Hora da limonada. Até aí eu estava usando apenas o k2 em seu padrão cardioide. Resolvi então brincar com a técnica inventada por Blumlein. Para seu "Mid-Side" precisamos de dois microfones: um omnidirecional (que escuta igualmente o som vindo por todas as direções) e um "figura 8" (que escuta bem pela frente e por trás, mas é "surdo" pela lateral). O k2 é o único microfone que possuo que pode trabalhar em "figura 8".
E lá fui eu. Como a técnica original funciona melhor usando microfones com respostas semelhantes, tirei do armário meu primeiro microfone condensador : um NT2, também da Rode (acho que eu o comprei em 1995). Por muitos anos esse foi meu melhor microfone, mas acabou ficando de lado depois que pude acrescentar uns Neumanns à coleção...
Armei então o k2 como "figura 8" e o NT2 como "omni". Uau! Mágica. O som veio natural e "gordo".
Violão, piano, bateria... a lista vai longe. O Mid-Side é perfeito para obter um som centrado e com uma imagem estéreo natural. Vale a pena experimentar.
E o mais legal é que com a técnica dá pra transformar dois microfones relativamente baratos em um par estéreo muito do bacana!
... o único porém é que a resposta em figura 8 do meu k2 é um pouco assimétrica (não sei se é particular do modelo ou se meu mic usado tem algum problema). Assim, um "lado" escuta um pouquinho melhor que o outro. E lá vou eu acrescentando mais um item à relação sem fim de equipamentos dos quais eu preciso para viver. Parece mesmo que um parzinho de AKGs 414 é fundamental...
Por quê esse lero-lero? Bom, começou porque outro dia eu comprei um Rode k2. Microfone usado, precinho justo (pra Brasil), valvulado, padrão de captação variável. Um tempero diferente pra coleção. Muito bonito, mas com o tempo acabei ficando um pouco decepcionado. O k2 sempre perdia para outros microfones que eu uso. E estava ficando um pouco difícil de justificar à minha esposa a compra de mais um microfone.
Hora da limonada. Até aí eu estava usando apenas o k2 em seu padrão cardioide. Resolvi então brincar com a técnica inventada por Blumlein. Para seu "Mid-Side" precisamos de dois microfones: um omnidirecional (que escuta igualmente o som vindo por todas as direções) e um "figura 8" (que escuta bem pela frente e por trás, mas é "surdo" pela lateral). O k2 é o único microfone que possuo que pode trabalhar em "figura 8".
E lá fui eu. Como a técnica original funciona melhor usando microfones com respostas semelhantes, tirei do armário meu primeiro microfone condensador : um NT2, também da Rode (acho que eu o comprei em 1995). Por muitos anos esse foi meu melhor microfone, mas acabou ficando de lado depois que pude acrescentar uns Neumanns à coleção...
Armei então o k2 como "figura 8" e o NT2 como "omni". Uau! Mágica. O som veio natural e "gordo".
Violão, piano, bateria... a lista vai longe. O Mid-Side é perfeito para obter um som centrado e com uma imagem estéreo natural. Vale a pena experimentar.
E o mais legal é que com a técnica dá pra transformar dois microfones relativamente baratos em um par estéreo muito do bacana!
... o único porém é que a resposta em figura 8 do meu k2 é um pouco assimétrica (não sei se é particular do modelo ou se meu mic usado tem algum problema). Assim, um "lado" escuta um pouquinho melhor que o outro. E lá vou eu acrescentando mais um item à relação sem fim de equipamentos dos quais eu preciso para viver. Parece mesmo que um parzinho de AKGs 414 é fundamental...
quinta-feira, 19 de abril de 2012
As línguas da Gringolândia
Volta e meia alguém me pergunta se não "tem esse manual em português?", ou coisa parecida. Eu sempre fico embasbacado. Como é que aprende? Lê o quê? Quase tudo o que eu encontro sobre áudio está escrito em inglês (ou alemão).
Grande parte da produção tecnológica/cultural que mantém os olhos no futuro não está escrita originalmente em português. Simplesmente porque o mundo é bem grande e tem muita gente boa por aí. (estou sendo bonzinho e ignoro a preocupação com a educação e a incrível busca pela excelência que a gente tem aqui no Brasil, né?)
Você não precisa falar inglês, mas ler inglês é fundamental. Você não precisa concordar com os gringos, ou mesmo gostar deles. Mas não saber o que o resto do mundo pensa (e faz) é simplesmente estúpido.
Além do mais... original é original. Tradução do Google simplesmente "doesn´t cut it".
C'est la vie.
Grande parte da produção tecnológica/cultural que mantém os olhos no futuro não está escrita originalmente em português. Simplesmente porque o mundo é bem grande e tem muita gente boa por aí. (estou sendo bonzinho e ignoro a preocupação com a educação e a incrível busca pela excelência que a gente tem aqui no Brasil, né?)
Você não precisa falar inglês, mas ler inglês é fundamental. Você não precisa concordar com os gringos, ou mesmo gostar deles. Mas não saber o que o resto do mundo pensa (e faz) é simplesmente estúpido.
Além do mais... original é original. Tradução do Google simplesmente "doesn´t cut it".
C'est la vie.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Mixing with your mind
![]() |
| Bom, muito bom! |
Stavrou escreveu um dos melhores livros sobre gravação que eu conheço. É bom, muito bom mesmo. O livro aborda um monte de temas, sempre apresentando um jeito original de ver a coisa. É um daqueles volumes de capa dura, papel gostoso, escrito de forma simples, despretensiosa e divertida. Um livro para velhacos e novatos (se bem que o grande lance é a simplicidade do óbvio revelado - coisa que é mais saborosa quando a gente já errou bastante). Engenharia de som, psicoacústica, truques da profissão e um tanto de bruxaria. Bom, muito bom. Mas eu acho que já disse isso.
Confesso que algumas técnicas e conceitos me parecem ainda um pouco estranhos. Provavelmente um dia desses a ficha cai e eu mudo de idéia.
Você acha esse livro diretamente com o autor ... na Austrália!
www.mixingwithyourmind.com
É meio caro e demora pra chegar, mas vale cada centavo.
Vou repetir o conselho de EveAnna Manley (www.manley.com).
"Go get it. Now !"
(... e olha que eu não levo nenhum nisso!)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Matuto Moderno na Chácara do Vô Zezinho
Esse som é um trabalho em progresso que os malucos do Matuto Moderno tacaram no YouTube. Já que eles postaram, eu passo pra frente. Mas se não está pronto, porquê isso? Pra eu não esquecer que preciso me organizar e terminar essas mixes e master logo! Essa é uma dessas bandas que tem um bom motivo de ser.
Em tempo: gravado na "Chácara do Vô Zezinho", em Pedralva, MG. Prazer de trabalhar um pouco e aprender um muito com Alexandre Fontanetti (super produtor e cara mais que 10!). Muita comida mineira da boa. Muito som. Muito pé de banana. Eco Macaco.
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